Uma menina somaliana de 10 anos morre após ser submetida a mutilação genital feminina

Uma curandeira somali mostra os instrumentos para a mutilação genital de uma garota. (Bernardo Perez/El Pais)

Deeqa Dahir Nuur, menina somali de 10 anos, morreu sexta-feira em um hospital de sangramento, dias depois de ser ser levada por sua mãe a uma mulher que estaria realizando a mutilação genital. Na Somália, na África Oriental, 98% das mulheres entre 15 e 49 anos foram submetidas a esse ritual, segundo dados das Nações Unidas.

Somália é o país com a maior taxa de mulheres com ablação do clitóris. A morte de Nuur, que foi submetida a essa mutilação no último dia 4, é o primeiro caso de morte confirmado em vários anos em um país onde muitas vezes são negadas as complicações do procedimento, conforme relatado pelo jornal britânico The Guardian.

“Suspeita-se que a mulher que realizou a ablação [mutilação genital] tenha cortado uma veia importante durante a operação”, disse Hawa Aden Mohamed, diretor do Centro de Educação para o Desenvolvimento e Paz de Galkayo, um grupo local de defesa dos direitos das mulheres. Segundo ele “a mulher que realizou a mutilação não foi presa, mas mesmo que fosse, não há leis para puni-la por esse ato. Este é mais um dos muitos casos que acontecem todos os dias na Somália”.

A Constituição da Somália proíbe a mutilação genital feminina, mas não existe legislação que castigue quem a pratica. De fato, os esforços para fazer leis foram bloqueados pelos parlamentares que temem perder os votos de uma parte da comunidade muçulmana que apóia esse ritual e o vê como “parte das tradições”, segundo a Reuters.

A ONU estima que cerca de 200 milhões de meninas e mulheres no mundo sofreram mutilação do clitóris, um procedimento que, na maioria dos casos, leva a graves problemas de saúde. Esse ritual – praticado em pelo menos 27 países da África e em outros da Ásia e do Oriente Médio – geralmente é realizado por “cortadoras” tradicionais, que usam facas e lâminas não esterilizadas.

Além das complicações de saúde, a mutilação genital também pode complicar o parto causando a morte da mãe e dor durante as relações sexuais. Em muitos casos, as meninas não param de sangrar após o procedimento ou morrem devido ao desenvolvimento de infecções na região.

“Grupos de pressão que apóiam a ablação às vezes enfatizam que não é prejudicial, o que é completamente falso”, disse Brendan Wynne, da Donor Direct Action, um grupo internacional de mulheres dedicadas ao financiamento de organizações de ajuda local. “Não temos mais tempo para discutir se há benefícios ou não em torno da mutilação genital feminina e este caso, como muitos outros, mostra isso. A mutilação genital feminina só cessará quando os governos decidirem seguir uma linha dura e proteger as meninas em risco”.

Com informações de El Pais

6 comentários sobre “Uma menina somaliana de 10 anos morre após ser submetida a mutilação genital feminina

  1. Fico triste ao ler mais uma história de uma menina morta por Mutilação Genital Feminina. Que história triste. Espero que alguma autoridade tome providências para acabar com esse sofrimento.

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      • Só prova que nem toda cultura ou costumes de uma cultura são benéficos. Casamento com crianças, infanticídio, incestos, fazem parte desses absurdos que devem ser extintos, mas para alguns psicopatas obsessivos extirpar certas práticas é retrocesso. Lamentável!

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