Uma menina somaliana de 10 anos morre após ser submetida a mutilação genital feminina

Uma curandeira somali mostra os instrumentos para a mutilação genital de uma garota. (Foto de Bernardo Perez/El Pais)

Uma menina de 10 anos morreu no centro de Somália morreu após sofrer Mutilação Genital Feminina. O procedimento foi feito por uma curandeira local sem o mínimo preparo médico.

Uma menina somaliana cujo nome era Deeqa Dahir Nuur, de apenas 10 anos, morreu sexta-feira em um hospital. O caso causou indignação internacional e levou a petições para criminalizar a prática em um dos países com as taxas mais altas do mundo de Mutilação Genital Feminina.

De acordo com a agência de notícias Reuters a menina foi levada pela mãe a uma circuncidadora tradicional em 14 de julho. O procedimento não saiu como previsto e deixou a menina com um grande sangramento. Ela morreu no hospital Dhusmareb devido a uma hemorragia dois dias depois.

Os eventos se passaram na vila de Olol, a cerca de 65 km de Dhusmareb, no estado central de Galmudug. De acordo com o The Guardian a morte de Deeqa Dahir Nuur é a primeira a ser confirmada em anos em um país onde as complicações do procedimento geralmente são negadas pelo defensores da prática.

“Suspeita-se que a circuncidadora tenha cortado uma veia importante no curso da operação”, disse Hawa Aden Mohamed, diretor do Centro de Educação para a Paz e o Desenvolvimento de Galkayo (GECPD), um grupo local de direitos das mulheres.

Ainda de acordo com Mohamed “a mulher que realizou a operação não foi presa, mas mesmo que fosse, não há lei que garanta que ela seja punida pelo ato”. Apesar da luta de ativistas e ONGs pelo fim da prática grupos religiosos e comunidades rurais ainda praticam e defendem a Mutilação Genital Feminina.

A ministra estadual de Galmudug para assuntos de mulheres visitou a família no hospital para oferecer condolências e explicar o risco de morte nas operações da Mutilação Genital Feminina. Na Somália 98% das mulheres e meninas são cortadas, sendo está a maior porcentagem em qualquer lugar do mundo.

A Constituição da Somália proíbe a Mutilação Genital Feminina, mas não existe legislação que castigue quem a pratica, pois a pressão de grupos conservadores e religiosos impede os legisladores de aprovar legislação para punir os infratores.

Os parlamentares somalianos também não se esforçam para colocar a pauta em debate, pois teme perder os votos de uma parte da comunidade muçulmana tradicional que apoia esse ritual e o vê como “parte das tradições”.

O antigo ritual – praticado em pelo menos 27 países africanos e partes da Ásia e do Oriente Médio – geralmente é realizado por cortadores tradicionais, geralmente usando lâminas ou facas não esterilizadas. Em alguns casos também são usados navalhas, cacos de vidro e até paus afiados.

Estima-se que 200 milhões de meninas e mulheres em todo o mundo foram submetidas a prática, o que geralmente envolve a remoção parcial ou total da genitália feminina e pode causar uma série de graves problemas de saúde, afirma a Organização das Nações Unidas.

A grande maioria das meninas na Somália é submetida ao procedimento entre cinco e nove anos, segundo a Unicef. Quase dois terços sofrem infibulação, a forma mais grave do procedimento. Isso envolve estreitar a abertura vaginal criando um selo, formado pelo corte e reposicionamento dos lábios.

De com com a Reuters especialistas em saúde dizem que a Mutilação Genital Feminina pode causar complicações fatais no parto mais tarde na vida. Em alguns casos, as meninas podem sangrar até a morte ou morrer de infecções. Além disso também as mulheres também sofrem com problemas físicos e psicológicos.

Os ativistas apostam na educação como a principal arma para combater a prática. “Sabemos que esta é uma prática enraizada nos mitos tradicionais, que só podem ser efetivamente desafiados pelo conhecimento”, afirma Mohamed do Centro de Educação para a Paz e o Desenvolvimento de Galkayo.

“Não temos mais tempo para discutir se há benefícios ou não em torno da mutilação genital feminina e este caso, como muitos outros, mostra isso”, finaliza Brendan Wynne, da Donor Direct Action, um grupo internacional de mulheres dedicadas ao financiamento de organizações de ajuda local.


Está matéria foi escrita por Fernanda Flores, com base nas informações coletadas das fontes, que são citadas ao longo do texto. A autora permite reprodução e tradução do texto desde que seja citada a fonte e a autoria.


Publicado por Fernanda Flores

Historiadora e pesquisadora brasileira Fernanda da Silva Flores é criadora e idealizadora do blog Rainhas Malditas: Reis e Rainhas que Fizeram História no ar desde 2016 e da página homônima no Facebook lançada em junho de 2018. Tem 22 anos e possui graduação plena na disciplina de História pela Universidade Norte do Paraná. Cursa pela mesma instituição educacional pós-graduação em Gestão e Organização da Escola com Ênfase em Supervisão Escolar. Seu objetivo é resgatar do campo de interpretações equivocadas e dotadas de forte carga preconceituosa figuras que marcaram época. Seus escritos possuem linguagem moderna e dinâmica para assim atingir o grande público que não tem acesso - ou não se interessa - em trabalhos acadêmicos e científicos. Por meio de suas pesquisas diversos mitos são derrubados, sem, entretanto, cair no erro contrário de enaltecer uma realidade distorcida.

6 comentários em “Uma menina somaliana de 10 anos morre após ser submetida a mutilação genital feminina

      1. Só prova que nem toda cultura ou costumes de uma cultura são benéficos. Casamento com crianças, infanticídio, incestos, fazem parte desses absurdos que devem ser extintos, mas para alguns psicopatas obsessivos extirpar certas práticas é retrocesso. Lamentável!

        Curtido por 1 pessoa

Deixe uma resposta para Fernanda Flores Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: