Inês de Castro, a paixão que causou uma guerra

“A Coroação de Inês de Castro em 1361”, por Pierre-Charles Comte, c. 1849. Foto: Wikipedia Commons

A história de Inês de Castro e d. Pedro I de Portugal evoca a velha tragédia de apaixonados que não podem ficar juntos. É um Romeu e Julieta às avessas, uma vez que a morte de Inês em 1355 não forjou uma paz entre as famílias conflitantes.

Inês de Castro nasceu em 1325, na Galiza e era filha do poderoso Pedro Fernandes de Castro, neto ilegítimo do rei Sancho IV de Castela. Ela chegou a Portugal aos 15 anos como dama de companhia de sua prima, a infanta Constança Manuela de Castela e logo se tornou amante do príncipe herdeiro d. Pedro.

Em uma manobra astuta para pôr um fim ao caso amoroso de seu marido, Constança convidou Inês para ser madrinha de seu filho recém-nascido, o infante D. Luís. Aos olhos da Igreja Católica, isso tornaria Inês um membro da família e tornaria seu caso com D. Pedro incestuoso, porém, a manobra não funcionou.

Em 1344 foi a vez do rei d. Afonso IV tentar pôr um fim no romance. Ele decidiu exilar Inês da corte, mas mesmo assim d. Pedro continuou a visitar a amante. Em novembro do ano seguinte d. Constança Manuela faleceu logo após dar à luz seu terceiro filho, o infante D. Fernando. Com a morte da princesa o casal estava livre.

Viúvo d. Pedro foi atrás de Inês, e a instalou em Coimbra, onde morariam juntos abertamente escandalizando a corte. Durante esse período geraram quatro filhos. Afonso (que morreu na infância), Beatriz (nascida por volta de 1347), João (nascido em 1349) e Dinis (nascida em 1354).

Enquanto isso, o príncipe herdeiro se aproximava cada vez mais dos irmãos de Inês, Álvaro e Fernando de Castro, que tentavam convencê-lo a reivindicar o trono de Castela. Alarmado pela possibilidade de uma guerra e temendo que, em algum momento no futuro, os filhos de Inês tentassem tomar o trono português, d. Afonso IV decidiu que a galega deveria morrer.

Em 7 de janeiro de 1355, enquanto d. Pedro estava fora de casa, os cortesãos Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco assassinaram Inês de Castro com punhaladas. Quando o príncipe soube que Inês havia sido morta ficou furioso e encenou uma revolta contra o rei.

Por vários meses, com o apoio dos irmãos Álvaro e Fernando de Castro, as tropas de d. Pedro devastaram Portugal e sitiaram a cidade do Porto. Finalmente, sua mãe, a rainha Beatriz de Castela, interveio para acabar com a revolta e promoveu uma reconciliação entre pai e filho. Em 1357 d. Afonso IV morreu.

Logo após ser coroado, e apesar de suas promessas de perdão, o agora rei d. Pedro I recuperou dois dos assassinos de Inês, Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves, que haviam buscando refugio em Castela. Eles foram torturados e executados diante do Palácio Real enquanto o rei assistia a cena jantando.

Em 1360, d. Pedro anunciou em Cantanhede que, alguns anos antes, havia se casado em segredo com Inês, na cidade de Bragança. O bispo da Guarda, dom Gil, e um dos seus servos, Estêvão Lobato, foram apresentados como testemunhas do casamento embora ninguém soubesse dizer a data exata.

Mesmo assim Inês de Castro foi declarada esposa legítima de D. Pedro e, portanto, a legítima rainha de Portugal. O rei ordenou que o seu corpo fosse exumado e levado do Mosteiro de Santa Clara, em Coimbra, para o Mosteiro de Alcobaça onde ela foi enterrada em 2 de abril de 1361.

Antes do enterro extraordinário conta-se que o rei teria forçado toda sua toda a corte a jurar lealdade à rainha morta, beijando a mão do cadáver, que foi colocado sentando no trono, com a coroa real no crânio. Não sabemos a veracidade de tais relatos, mas acredita-se que se trata mais de ficção do que de realidade.

Finalmente em 1367 d. Pedro morreu, aos 46 anos, sem nunca ter se casado novamente. Ele foi sucedido por seu filho com a d. Constança Manuela, o rei d. Fernando I. Ele foi sepultado numa tumba que foi colocada em frente ao túmulo de Inês, para que eles pudessem se olhar no dia do julgamento final.

Fontes:

MARTINS, Oliveira. História de Portugal. 1° ed. – :Edições Vercial, 2010.

M, Elsa. Inês de Castro: The Queen Who Was Crowned After Death. Disponível em: <http://www.theroyalarticles.com/articles/71/1/Ines-de-Castro-The-Queen-Who-Was-Crowned-After-Death/Page1.html>. Acesso em: 23. fev. 2017.

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