A conturbada vida de Mary Stuart (1542-1589)

Mary Stuart, em retrato de François Clouet, c. 1558. Foto: Wikipedia Commons

Mary Stuart protagonizou uma vida conturbada. Após a morte inesperada do pai se tornou rainha ainda bebê e viu o seu governo ser sabotado em diversas ocasiões e lidou com homens ambiciosos. Porém, nada foi tão impactante como sua própria morte.

Mary Stuart nasceu em 8 de dezembro de 1542 no Castelo de Linlithgow. Ela era filha do rei James V da Escócia e de sua segunda esposa Maria de Guise. Antes do nascimento de Mary a rainha havia dado à luz dois meninos, que morreram ainda jovens.

Com apenas 6 dias de vida Mary se tornou rainha após James V ser vítima de um ataque de nervos após ser derrotado na Batalha de Solway Moss. A Escócia passava por um momento difícil. Era atacada pelos ingleses e o protestantismo crescia dentro do país.

Para salvaguardar a pequena rainha dos ataques ingleses Maria de Guise arquitetou um acordo político com a França. Assim em 1548 Mary Stuart passou a residir na corte parisiense. Enquanto isso a Escócia era governada pelo Conde de Arran, o regente oficial.

Os pais de Mary Stuart: James V e Maria de Guise, por artista desconhecido, séc. 16. Foto: Wikipedia Commons

Em dezembro de 1560 Mary ficou viúva com apenas 16 anos. Após a morte inesperada de seu sogro em uma justa Mary havia se tornado rainha consorte da França. Mas agora deveria voltar ao seu país de origem. Em 1561 desembarcou na Escócia.

Jovem e inexperiente a rainha não conhecia praticamente nada do país que passaria governar. Desde o primeiro momento Mary teve de lidar com a poderosa Inglaterra, para quem os escoceses representavam um incômodo permanente.

Como bisneta de Henrique VII da Inglaterra Mary Stuart tinha direitos sobre a coroa inglesa representando assim uma grande ameça para a rainha Elizabeth I, que temia um levante dos católicos de seu país em nome de Mary.

Anteriormente os ingleses através do chamado Rude Cortejo, haviam pressionado os escoceses a comprometer Mary com Eduardo Tudor, príncipe de Gales e filho de Henrique VIII. Unindo assim as coroas escocesa e inglesa, mas o acordo foi quebrado.

Em 1565 Mary decidiu se casar. O escolhido foi seu primo inglês Henrique Stuart, Lorde Darnley. Logo depois, em junho do ano seguinte, a rainha deu à luz um filho chamado James, que devido ao fato de ser filho de um inglês tinha uma revindicação mais forte ao trono da Inglaterra.

Em 10 de fevereiro de 1567 Darnley foi assassinado. O rei consorte e um de seus criados foram encontrados mortos e estrangulados nos jardins de Kirk o ‘Field, após uma explosão acontecer na residência. Não sabemos quem foi o autor do crime.

Os três maridos de Mary Stuart: Francisco II, por François Clouet; Lorde Darnley, por artista desconhecido, e o Conde de Bothwell, por artista desconhecido. Fotos: Wikipedia Commons e Art UK

Logo depois desse acontecimento nebuloso Mary se casou com o Conde de Bothwell. A cerimônia teve lugar em 15 de maio do mesmo ano no Palácio de Holyrood. Nem mesmo o fato de Bothwell já ser casado atrapalhou a união, uma vez que um divórcio foi emitido as pressas.

O casamento ultrajou a nobreza que em dentro de pouco tempo aprisionou Mary e a forçou a abdicar em favor de seu filho. No ano seguinte, Mary escapou de sua prisão, mas foi forçada a fugir através da fronteira com a Inglaterra após a derrota de seus apoiadores na Batalha de Langside.

Desesperada Mary buscou refugiou na Inglaterra onde encontrou o seu trágico fim. Mary foi imediatamente presa pela rainha Elizabeth I e passou os 19 anos seguintes residindo em diversos castelos. As duas nunca se encontraram pessoalmente.

Com o passar do tempo Mary acabou se tornando um foco para conspirações católicas que pretendiam destronar Elizabeth. Finalmente, em 1587, a rainha inglesa decidiu dar um fim a vida da rival e assinou o documento de execução de sua prima.

Lorde Shrewsbury e Lorde Kent foram os homens responsáveis de informar a rainha escocesa da notícia trágica. Mary ouviu tudo com muita tranquilidade, como se já esperasse pelo evento. Ela apenas pediu tempo para se preparar e a presença de um padre católico.

Ambos pedidos foram negados.

“Mary, rainha dos escoceses, sendo conduzida à sua execução”, obra de Laslett John Pott, 1871. Foto: Art UK

Na noite que antecedeu sua execução Mary Stuart não dormiu. Após organizar seu testamento e enviar cartas a rainha se despediu de seus criados e se preparou para sua execução. Nada falou sobre Elizabeth. Apenas silêncio sobre a rainha inglesa.

Mary foi finalmente executada em 8 de fevereiro de 1587 no Grande Salão do Castelo de Fotheringhay. De cabeça erguida ela subiu os degraus do cadafalso e foi decapitada com um três golpes. Para simbolizar o seu martírio pela fé católica ela usava um vestido de veludo carmesim escuro.

A rainha foi sepultada na Catedral de Peterborough e posteriormente seus restos mortais foram transferidos para Abadia de Westminster, onde descansam até hoje próximos ao corpo de Elizabeth I, que foi sucedida pelo filho de Maria.

Fontes:

ZWEIG, Stefan. Maria Stuart. 5° ed. Tradução de Lya Luft. Porto: Livraria Civilização, 1948.

HOUSTON, Rab A royal foxhunt: The abdication of Mary Queen of Scots. Disponível em: <https://blog.oup.com/2015/07/mary-queen-of-scots-vsi/>. Acesso em: 10. dez. 2019.

The Execution of Mary, Queen of Scots, 1587. Disponível em: <http://www.eyewitnesstohistory.com/maryqueenofscots.htm>. Acesso em: 11. dez. 2019.

8 comentários sobre “A conturbada vida de Mary Stuart (1542-1589)

  1. Acredito que Maria Stuart morreu por ser católica e pelo catolicismo. Eu como católico praticante, espero também ter essa honra algum dia. Que Deus me dê força necessária pra isso. Gostei do texto.

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