O perigo de ser mulher no Iraque

Mmulher iraquiana caminha entre soldados enquanto eles se encarregam da segurança em Base Scania, Iraque, em 19 de agosto de 2009. Foto: The U.S. Army

O Iraque é uma nação dilacerada por décadas de guerra. Os conflitos pioraram após a morte de Saddam Hussein em 2006. Como consequência a população se sente menos segura e as mulheres são as maiores vítimas. Em algumas regiões elas não tem seus direitos básicos assegurados.

No Iraque as mulheres são privadas de direitos básicos como o direito de votar, estudar ou se casar com quem quiser. A maioria é economicamente dependente dos homens, devido a falta de educação. De acordo com uma pesquisa da Intermón Oxfam 81% não puderam continuar seus estudos a partir de 2003.

As consequências da invasão americana foram devastadoras, deixando milhares de mulheres viúvas e como o Iraque carece de um sistema que forneça pensão por viuvez ou assistência social a sobrevivência dessas mulheres, e de seus filhos, se tornara um desafio diário.

Para mudar essa realidade e promover a igualdade é preciso garantir que as mulheres tenham visibilidade, atuação e poder de decisão na sociedade. Porém, existe uma forte oposição a ideia devido ao conservadorismo que domina a sociedade.

Apesar do Curdistão iraquiano estar livre da guerra, a situação da mulher também é desanimadora. Apesar de algumas ações terem começado o território tem uma cultura tribal. A MGF ainda é uma prática comum na área. De acordo com a OMS a prática viola os direitos humanos, e tem consequências devastadores.

A Constituição de 1970 estabeleceu direitos iguais entre homens e mulheres e foi complementada por leis relacionadas ao direito ao voto, educação, cargo político e propriedade privada. Porém, a Constituição, também estabelece que o Islã é a principal fonte de legislação dando espaço para a aplicação da Lei Sharia.

Além desses fatores também existe o problema da violência doméstica.

Praticamente toda vez que uma mulher é morta no Iraque as autoridades não estão interessadas em lidar com a situação e punir os agressores. Espancamentos, estupros maritais e outros delitos não são punidos sob pretexto de se tratarem de “assuntos familiares”.

De acordo com a Aljazeera o código penal permite que os maridos disciplinem suas esposas, e não existe lei criminalizando a violência doméstica. Segundo a Human Rights Watch 7 em cada 5 mulheres está sujeita a violência física e 36% das mulheres casadas relataram sofrer abuso psicológico.

Como a sociedade iraquiana permanece em grande parte conservadora, ligada às tradições tribais e aos costumes religiosos o casamento arranjado ainda é muito comum. Na maioria das vezes o poder de decisão cabe exclusivamente aos homens.

De acordo com France24 a província de Maysan e a cidade de Basra têm as maiores taxas de casamento infantil. No local ainda existe um costume no qual mulheres são casadas como restituição pelo sangue derramado entre duas tribos que entraram em conflito.

Como resultado muitas mulheres cometem suicídio .

Um dos métodos mais usados é a autoimolação. Existem poucos dados sobre o assunto porque o tema é um tabu no Iraque. Também é difícil abordas temas problemas de saúde mental, e os esforços para discuti-los com os líderes tribais tiveram pouco sucesso.

Uma mulher chamada Lena foi vítima do sistema legal iraquiano. Ela contou sua história a Aljazeera. De acordo com o seu depoimento após denunciar o marido por agressão ela deixou sua casa e levou seu filho. Porém, após ser acusada de sequestro ficou 16 meses presa.

Temendo esse tipo de reviravoltas as iraquianas não denunciam os abusos. Tanto a Estratégia AntiViolência do Iraque contra as Mulheres quanto a Estratégia Nacional de Promoção das Mulheres no Iraque, pediram a promulgação de uma legislação contra a violência doméstica, mas não obtiveram êxito.

10 respostas para ‘O perigo de ser mulher no Iraque

  1. George Ferraz Pereira

    Fico extremamente chateado ao saber desse tipo de situação. Infelizmente alguns governos europeus, à exemplo da França, estão importando milhões de muçulmanos violentos e falsos refugiados de guerra para dentro das suas fronteiras. Isso está causando muitos problemas. Devemos tomar cuidado.

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  2. Lucas Batista (@lucasbatista_oficial )

    Que pena que essa realidade ainda existe no Oriente Médio. Adorei saber mais sobre a triste realidade que as mulheres vivem nessa região e eu espero que as autoridades ajam para que esse sofrimento acabe de uma vez por todas.

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  3. ANDREIA LUIZA MATIAS

    Não há outra definição além de ridículas as acusações das feministas de que o Cristianismo oprime as mulheres. E pensar que um tempo desse vi matérias que mostravam feministas na Europa defendendo o Islã. A dúvida é: burrice? ignorância? ou as duas anteriores? Agradeço a Deus por não ter o destino destas mulheres. Adorei o blog.

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