Felipe II de Espanha: o nascimento do rei mais poderoso da Europa

Felipe II aos 33 anos, por Antonio Moro. Carlos V (Álvaro Cervantes) com seu filho em ‘Carlos Rey , Emperador’. Fotos: Wikipedia Commons e RTVE

Era uma tarde chuvosa quando Felipe II de Espanha veio ao mundo em maio de 1527. Segundo algumas versões caia das nuvens uma chuva torrencial, segundo outras versões a chuva era amena. De qualquer maneira naquele dia nascia um dos monarcas mais poderosos da história.

Após muitas negociações entre Espanha e Portugal Carlos V, rei de Espanha e imperador do Sacro Império, contraiu matrimônio com a infanta Isabel de Isabel em 10 de março de 1525 no Real Alcázar de Sevilla.

A infanta cruzou a fronteira em 27 de fevereiro e chegou a cidade no dia 3 de março, mas teve que esperar pela chegada do noivo que estava absorvido por seus problemas militares com a França de Francisco I.

A entrada de Isabel em Sevilla foi apoteósica.

Ela percorreu as ruas da cidade acompanhada por seu séquito e pelos nobres espanhóis enviados para recebê-la. Desde o Arco de la Macarena até a Catedral de Sevilla ela passou por sete arcos que simbolizavam:

  • prudência
  • força
  • clemência
  • paz
  • justiça
  • glória

Carlos já havia sido prometido a diversas mulheres antes de Isabel. Ele ele foi noivo de Maria Tudor, filha de Henrique VIII da Inglaterra, e das princesas Cláudia e Luísa de França.

Todos os noivados acabaram sendo desfeitos por motivos políticos e uma aliança com os vizinhos portugueses acabou sendo considerada mais vantajosa devido a riqueza do país.

Apesar de se tratar de um casamento de Estado se conta que Carlos ficou profundamente apaixonado pela esposa desde o primeiro momento que a viu, em 10 de março, o mesmo dia de seu casamento.

Com o fogo da paixão não tardou muito para Isabel ficar grávida. O casal passou a sua lua de mel em Alhambra. O anúncio da gestação da soberana foi feito em novembro quando a corte ia para Valladolid.

O futuro príncipe das Astúrias teria a vantagem de nascer em Espanha uma vez que Carlos V, que era natural de Flandes, havia passado por dificuldades para ser aceito pelos espanhóis que o olhavam com desconfiança.

Devido a precariedade da medicina da época e a falta de medicamentos que combatessem infecções Isabel se preparou com extrema devoção religiosa para o parto. Prevendo uma possível morte, como era costume, ela até mesmo preparou o seu testamento.

Isabel estava hospedada no Palácio Pimentel quando sentiu as primeiras contrações. O parto durou longas horas, porém Isabel se negou a demonstrar dor, pois acreditava que uma rainha deveria manter a compostura em qualquer situação.

Se conta que ela ordenou que a maioria dos candelabros da câmara fossem apagados e cobriu o seu rosto com um véu branco. “Naö me faleis tal, minha comadre, que eu morrerei, mas naö gritarei”, respondeu Isabel aos apelos de sua dama Leonor de Mascarenhas, que notando o seu sofrimento pedia que ela exterioriza sua dor.

No final das contas Isabel de Portugal conseguiu trazer ao mundo um filho varão para a felicidade geral da corte e da população, que se aglomerava nas ruas. Felipe II nasceu às três e quinze da tarde, numa terça-feira, após treze horas de trabalho de parto.

Segundo as descrições contemporâneas o bebê tinha uma frágil e era loiro como a mãe. Assim que o príncipe foi lavado e vestido com ricas sedas, o imperador Carlos o pegou nos braços com os olhos cheio de emoção.

Isabel havia dado à luz na presença de importantes cortesãos que estavam observando a cena na câmara para desmentir qualquer futuro rumor malicioso que alega-se que a criança havia morrido no parto ou sido trocada por outra.

Apesar da presença masculina na câmara o protocolo vetava a presença de um médico no momento do parto de modo que Isabel contou com o auxílio da parteira de renome Dona Quirce de Toledo, que também a auxiliaria nos partos vindouros.

O recém-nascido foi batizado como Felipe, em homenagem ao seu avô paterno, embora muitos desejassem que ele recebesse o nome de Fernando, em memória do Rei Católico.

Em 5 de junho o pequeno príncipe foi batizado Igreja de San Pablo em Valladolid. As festas, torneios e bailes que comemoravam o evento foram interrompidas pelo Saque de Roma por parte das tropas imperiais.

Fontes:

GARCÉS, Sofía. Carlos V. – Buenos Aires: Jose Bellesta Editor -.

Reyes, Reinas, Príncipes y Princesas. Isabel de Portugal. Parte III. Disponível em: < https://www.portalsolidario.net/ocio/visu/anecdota.php?rowid=604&anecdotas=Reyes,%20Reinas,%20Pr%EDncipes%20y%20Princesas >. Acesso: 21. mai. 2020.

Así fue la boda de Carlos V e Isabel de Portugal en Sevilla. Disponível em: < https://sevilla.abc.es/tv/series/20151026/sevi-boda-emperador-carlos-sevilla-201510251117.html >. Acesso: 21. mai. 2020.

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