Vikings: A verdadeira história de Alfredo, o Grande

Ferdia Walsh-Peelo como Alfredo, o Grande em Vikings. Estátua do rei Alfredo em Winchester, obra de 1899. (Fotos de History e Wikipedia Commons)

Alfredo, o Grande é um dos reis mais célebres da história britânica. Apesar dos muitos séculos passados desde sua morte sua memória segue viva e recentemente ele se tornou uma das principais personagens do aclamado seriado Vikings. Saiba a sua verdadeira história a seguir.

Alfredo, o Grande nasceu provavelmente em 849 em Wantage. Ao contrário do que é representado no seriado Viking seu pai era, de fato, o rei Aethelwulf de Wessex e sua mãe era Osburga, que por sua vez, era filha de Oslac, um nobre da corte que trabalhava como mordomo de seu marido.

Osburga tem citações históricas muitos breves nas crônicas que contam o reinado de seu filho, mas é descrita como “uma mulher muito religiosa, de caráter nobre”. Alfredo também tinha três irmãos mais velhos e uma irmã. Tendo isso em vista a probabilidade de ele se tornar rei era remota.

Mesmo assim Alfredo era o favorito de seus pais e passou a maior parte de sua infância na corte sob o cuidado de tutores, porém ele só aprendeu a ler em inglês e em latim quando se tornou adulto. Com apenas 4 anos Alfredo fez uma peregrinação a Roma, onde foi nomeado um cônsul pelo Papa Leão IV.

Jennie Jacques como Judith de Wessex em Vikings. A infância de Alfredo, o Grande, obra de Edmund Blair Leighton, 1913. No centro da tela sua mãe, Osburga, lê um livro para Alfredo e um de seus irmãos. (Fotos de History e Wikipedia Commons)

Por volta de 855, acredita-se que Osburga tenha morrido. O rei Aethelwulf então decidiu fazer uma peregrinação a Roma e levou Alfredo com ele. Ambos passaram um ano viajando e, no caminho de volta, pararam na corte de Carlos, o Careca, rei dos francos. Aethelwulf casou-se com a filha do monarca Judith, e a levou para Wessex.

Os irmãos mais velhos de Alfredo não estavam felizes coma presença de Judith na corte, pois estavam preocupados com a possibilidade dela gerar filhos que reivindicassem o trono de Wessex. No entanto, Aethelwulf não teve mais filhos e morreu em 858.

O irmão mais velho de Alfredo, Aethelbald, sucedeu o falecido rei e governou por dois anos. Após sua morte, seu outro irmão Aethelbert governou por cinco anos. Em 865, Aethelbert morreu e Aethelred tornou-se rei. Seu reinado duraria seis anos.

Durante esse primeiro ano, os vikings começaram a fazer ataques em vários reinos anglo-saxões da Grâ-Bretanha. Aethelred e Alfredo lutariam juntos contra os invasores. Durante o reinado de Aethelred Alfredo teve uma maior participação política e ocupou seu lugar nas reuniões do conselho e participou do governo.

Em 868, Alfredo se casou com Ealhswith, a filha de Aethelred Mucil, ealdorman de parte da Mércia, numa aliança que uniu Mércia e Wessex contra os vikings. Anteriormente o rei Burhred da Mércia havia pedido a ajuda de Aethelred e Alfredo enquanto estava sob um ataque dos vikings.

De acordo com a crônica, A vida do rei Alfredo, escrita pelo bispo Asser durante a cerimônia de casamento, o futuro rei ficou doente. Nós não sabemos qual era a natureza exata da doença, mas ao parece se tratava de uma doença intestinal que Alfredo sofreu pelo resto da vida.

Alfredo e Ealhswith tiveram cinco filhos que sobreviveram a infância. A mais velha era Aethelflaed, que aprenderia muito com o pai. O segundo era um menino que ficou conhecido como Eduardo, o Velho, e sucedeu seu pai como rei. Alfred deu sua filha Aelfthryth em casamento ao conde Balduíno de Flandres.

Róisín Murphy como Ealhswith da Mércia e Ferdia Walsh-Peelo como Alfredo, o Grande em Vikings. (Foto de History)

Sua outra filha Aethelgifu se tornou freira e foi feita abadessa de um dos conventos de seu pai. O filho mais novo do rei, Aethelweard, amava a educação como seu pai e estudou na corte na escola fundada pelo rei.

Em abril de 871, Aethelred finalmente morreu, deixando dois filhos. Porém, como esses filhos eram jovens demais para governar e combater os vikings, Alfredo foi nomeado rei por aclamação. Não há registro de uma cerimônia de coroação e o primeiro ato de Alfredo como governante foi subornar os vikings para fazê-los ir embora.

Houve relativa paz até 875, quando os vikings atacaram novamente. Alfredo os perseguiu, mas não houve nenhuma grande batalha. As escaramuças e os pagamentos pela paz duraram até o Natal de 878, momento no qual os invasores atacaram o palácio real em Chippenham e Alfredo fugiu com sua família para ilha de Athelney, em Somerse.

Durante seus quatro meses de exílio ele trabalhou em um plano para expulsar os inimigos. O rei e seus homens se envolveram em guerras de guerrilha, até finalmente confrontarem Gotrum na Batalha de Edington. A batalha foi sangrenta, mas Alfredo saiu vitorioso. Os Vikings prometeram deixar Wessex e Guthrum se tornou cristão.

Com a paz assegurada Alfredo dedicou seu tempo a reformar Wessex. A Cidade de Winchester foi escolhida como a nova capital. Ele compilou um código de leis no idioma inglês que tratava de todos os tipos de crimes. O rei também formulou uma espécie de reforma trabalhista estabelecendo os dias em que os homens deveriam férias.

Alfredo não descuidou do sistema de defesa de seu reino. Ele redesenhou a marinha e reconstruir muitas cidades. Ele também construiu muitas fortalezas. Os funcionários do monarca também aperfeiçoaram a arrecadação de impostos. O comércio não foi deixado de lado sendo incentivado.

Alfredo também se dedicou a programas educacionais. Ele fundou uma escola na corte para os nobres frequentarem e incentivou a alfabetização. De 892 a 896, os vikings voltaram a atacar, mas Wessex não foi abalada pelos ataques devido as modernizações no sistema de defesa lideradas por Alfredo anos antes.

Os últimos anos de vida de Alfredo, o Grande foram vividos em relativa tranquilidade. Ele continuou com suas reformas e promoção da educação até morrer em 26 de outubro de 899 com cerca de 50 anos de idade. O monarca foi enterrado em Old Minster, em Winchester.

No entanto, sabe-se que os restos mortais de Alfredo foram movidos várias vezes desde que ele foi enterrado pela primeira vez.

Eles foram transferidos em 904 para uma nova igreja para ficar ao lado de sua esposa e filhos, antes de serem transferidos novamente para Hyde Abbey em 1110. A abadia foi destruída durante a dissolução dos mosteiros liderada por Henrique VIII em 1539.

Alfred, o Grande (849 – 899) foi rei do reino anglo-saxão de Wessex, no sul da atual Inglaterra, de 871 a 899. (Foto de Culture Club/Getty Images)

Desde então o paradeiro do corpo do rei se tornou um mistério.

Em 2013 especialistas subterram a testes os restos exumados de um tumulo não marcado na Igreja de São Bartolomeu, onde se pensava que Alfredo estava enterrado. Porém, os testes mostraram que ossos eram de 1300, não de 899, quando o rei morreu.

Porém, os pesquisadores não desistiram e em 2013 um fragmento de pélvis escavado em Hyde Abbey, em 1999, e guardado numa caixa no Museu de Winchester também foi submetido a testes.

O osso foi datado de 895-1017 – a época em que o rei morreu – e possivelmente pertenceu a um homem que tinha 26 ou 45 anos no momento da morte. Tais relevações levaram os estudiosos a acreditar que a pélvis pode ter pertencido a Alfredo ou a seu filho Eduardo.

A Universidade Winchester e o grupo comunitário por trás da busca, Hyde900, agora estão tentando realizar mais escavações no Hyde Abbey Gardens. Porém, Richard Buckley, co-diretor de serviços de arqueologia da Universidade já advertiu que será “muito difícil de provar” que o osso pertence ao rei Alfredo.

Em entrevista a BCC ele afirmou: “A dificuldade com esse osso é que ele é apenas um osso […] Se eles (os pesquisadores) pudessem encontrar um esqueleto articulado, poderia haver outras pistas”.

Fontes:

ABERNETHY, Susan. Alfred the Great, Anglo-Saxon King of Wessex. Disponível em: <https://thefreelancehistorywriter.com/2013/10/26/alfred-the-great-anglo-saxon-king-of-wessex/>. Acesso em: 25. jun. 2020.

Bone fragment ‘could be King Alfred or son Edward’. Disponível em: <https://www.bbc.com/news/uk-england-hampshire-25760383> Acesso em: 26. jun. 2020.

Identifican los restos de Alfredo el Grande en el almacén de un museo inglés. Disponível em: <https://www.eldiario.es/politica/Identifican-restos-Alfredo-Grande-almacen_0_219078767.html>. Acesso em: 25. jun. 2020.

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