Felipe II de Espanha: a dolorosa morte do rei mais poderoso da Europa

Últimos momentos de Felipe II, de Francisco Jover Casanova, 1864. Felipe II (Marcel Borràs) em Carlos, Rey Emperador.

É inegável. O Felipe II de Espanha viveu uma vida extraordinária. O monarca governou o “Império cujo o sol jamais se põe” durante quase quatro décadas.

Durante esse extenso período Felipe II foi um trabalhador incansável lidando com rebeliões, batalhas e inimigos poderosos. Enquanto lutava para manter um império afetado por sua própria magnitude ficou viúvo quatro vezes e assistiu a morte de inúmeros filhos.

Porém, a perda que mais lhe afetou, sem sombra de dúvidas, foi a morte da infanta Catarina Micaela, que faleceu em novembro de 1597. Catarina Micaela residia na Itália desde 1585, data na qual desposou o duque de Sabóia, Carlos Emmanuel. Ela foi vítima de seu décimo parto aos 30 aos de idade.

Durante a maior parte de sua vida a saúde de Felipe II foi um tema sensível para todos que estavam ao seu redor. Desde a sua tenra idade Felipe II foi cercado de inúmeros cuidados e sabemos que sua mãe, a imperatriz Isabel de Portugal, era tomada de um grande pavor toda a vez que o filho adoecia.

Porém, Felipe II não demonstrou nenhum problema de saúde grave até os 36 anos quando foi vítima de seu primeiro ataque de gota.

A partir dos 40 anos o monarca manifestou crises de asma, artrite e fortes dores de cabeça. Desarranjos intestinais também eram comuns. É também muito provável que o rei tenha contraído malária em algum momento devido às suas febres constantes e sede insaciável.

“Nem a morte de filhos, nem a de suas esposas, nem a perda da Armada, nem qualquer outra coisa foi tão sentida como está”. Foi assim que o cronista Jean Lhermite descreveu a reação de Felipe II quando o mesmo recebeu a notícia da morte da filha caçula.

Segundo o que se sabe a partir de então o monarca veterano perdeu a vontade de viver. Contava com 71 anos de idade então. Devido a perca de mobilidade que as severas crises de gota nas pernas lhe impuseram Felipe II começou a ser afetado por úlceras.

As coisas pioraram em julho de 1598, quando já instalado no Monastério do Escorial, Felipe passou a sofrer de febres. Além disso sinais de hidropsia começaram a surgir. Inchaço no abdômen, nas pernas e nos músculos tiveram lutar em dentro de pouco tempo. Uma sede insaciável também teve início.

Logo depois o rei também perdeu a capacidade de ingerir alimentos. O dia 8 de setembro foi a última ocasião na qual o rei comungou por recomendação médica, pois temia-se que ele morresse engasgado.

Mesmo afetado por úlceras, dores, inchaços, febres e uma grande sede Felipe II ainda recebia visitas de seus secretários que lhe colocavam a par dos últimos acontecimentos. Quando já não era mais capaz de assinar os documentos de Estado escutava os mesmos serem lidos em voz alta.

Como o monarca havia perdido a capacidade de se mover e consequentemente de escrever também seu filho, o futuro rei Felipe III, passou a promulgar os documentos.

Conta-se que o odor que emanava da cama do monarca era quase insuportável, devido as chagas e incontinência urinária que era vítima. A sua situação também impedia que Felipe II tomasse banhos, algo que o desgostou profundamente, devido ao seu histórico de higiene pessoal.

Finalmente no começo da madrugada de 13 de setembro Felipe II entrou em coma. Antes do sol nascer, no entanto, o monarca despertou e exclamou “Já é hora”. Com um crucifixo e uma vela na mão o rei mais poderoso do mundo finalmente faleceu.

Os dois objetos, tanto o crucifixo quando a vela, curiosamente também estiveram presentes na morte de seus progenitores os imperadores Carlos V e Isabel de Portugal.

Felipe II faleceu às cinco horas da manhã de um domingo. Sua agonia havia durado incríveis 53 dias. Felipe II foi sepultado no Panteão dos Reis no Escorial, edifício que ordenou a construção, num caixão feito de madeira portuguesa.

Fontes:

CERVERA, Cesar. El mito de los piojos asesinos del Rey: la agónica muerte de Felipe II. Disponível em: <https://www.abc.es/espana/20150702/abci-felipe-piojos-muerte-201507012057.html>. Acesso em 13. set. 2020.

BRAUN, Martina. La leyenda de la muerte de Felipe II: ¿destruyeron unos simples piojos al rey español?. Disponível em: <https://www.elespanol.com/cultura/historia/20190923/leyenda-muerte-felipe-ii-destruyeron-simples-espanol/431457042_0.html>. Acesso em 13. set. 2020.

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